Ivonio Barros BRASIL: Marcha das Mulheres Negras toma ruas do país nesta sexta (25/7) em defesa da vida e por reparação Ato celebra o 25 de Julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e homenageia Tereza de Benguela 24.jul.2025 às 21h23 São Paulo (SP) Adele Robichez e Larissa Bohrer Marcha das Mulheres Negras realizou manifestação em Garanhuns (PE), durante o Festival de Inverno - Marcha das Mulheres Negras / divulgação Mulheres negras de todo o país se mobilizam nesta sexta-feira (25) para realizar marchas em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e ao Julho das Pretas. Em São Paulo, o ato terá concentração às 17h na Praça da República, reunindo mulheres de diferentes religiões, origens e coletivos em torno da luta por justiça social, bem viver e contra a violência do Estado. “Quando nos emanamos, conseguimos identificar problemas que são coletivos e que, às vezes, levamos para o individual. Estar na rua é de suma importância para que nós, mulheres negras, possamos cada vez mais cobrar os nossos direitos”, afirma Ana Paula Evangelista, da organização da Marcha das Mulheres Negras, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. A mobilização é parte da construção da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcada para novembro, que celebrará os dez anos do histórico ato de 2015, em Brasília. “Leis que são de suma importância hoje só existem porque o movimento de mulheres se uniu”, diz Evangelista. A homenagem a Tereza de Benguela, liderança quilombola do século 18, também terá destaque. “Essas mulheres se irmanam à luta de Tereza de Benguela e de outras tantas que vieram antes de nós. É importante que reconheçamos esse espaço de luta também como um espaço de vitória e de conquista”, completa. Ao comentar os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta (24), véspera do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que apontam que 63,6% das vítimas de feminicídio em 2024 eram mulheres negras, a militante destaca a negligência estatal. “Existe uma escassez de política pública, principalmente voltada para as periferias onde estão a maioria das mulheres negras”, lamenta. Evangelista reforça que a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver é protagonizado por mulheres negras, mas pessoas não negras são bem-vindas para somar. “É nosso dia, é o dia em que nós erguemos as nossas vozes. Que consigamos minimamente sobreviver nessa sociedade que, infelizmente, não nos quer aqui”, declara. Para ouvir e assistir O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira, uma às 9h e outra às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato em https://www.youtube.com/@brasildefato/playlists Dia da mulher negra De Cuba ao Haiti, revoluções forjaram identidade da mulher negra latino-americana e caribenha No dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha, grupos levantam os avanços necessários em países revolucionários 25.jul.2025 às 07h19 Caracas (Venezuela) Lorenzo SantiagoBRASIL DE FATO Situações transversais de racismo e gênero são uma marca da luta das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas em diversos países; na foto, Marcha das Mulheres Negras, em 2020 - Foto: Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil Na América Latina, a vida das mulheres negras é marcada pela ancestralidade e pelo referencial militante de quem construiu a luta. Em países caribenhos forjados pela revolução esse debate fica ainda mais explícito. É o que explica Marizabel Sifontes, presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento das Comunidades Afrodescendentes da Venezuela (Conadec Afro). Nascida em Barlovento, região com uma das maiores populações negras na Venezuela, ela deixa claro quem foram seus mentores e as pessoas que guiaram o caminho da sua militância. Por ser de uma zona que preserva as tradições de matriz africana, a discussão sobre raça esteve sempre presente em sua casa. Comida, música, danças e até o jeito de falar moldaram o estilo de Sifontes em torno de um debate racializado. Quando ela saiu para a universidade, ela teve a oportunidade de canalizar todo esse repertório em uma luta orientada para a questão de raça. “Eu comecei a estudar e a ter contato com o professor Luiz Antonio Bigot, que lecionava na Faculdade de Educação, e era amigo próximo de Chucho García, que é uma das maiores referências para nós. Essas duas figuras serviram de guia dentro da Universidade Central da Venezuela, para mim e outros colegas que também vieram de Barlovento e concentraram seus esforços em estudar o negro no país. Minha consciência racial foi construída ali”, afirmou ao Brasil de Fato. Formada em serviço social, se especializou em planejamento e passou a colocar o negro no centro do seu trabalho. O olhar para as comunidades afrodescendentes e do negro dentro da gestão pública passou a ser um foco para Sifontes e impulsionou não só a sua atuação profissional como também militante. Ela passa a integrar a Rede de Organizações Afro-venezuelanas e ocupa cargos de gestão até chegar ao Conadec Afro, um grupo ligado ao gabinete do governo venezuelano para debater essas questões. Em Cuba essas referências também são evidentes. O país é marcado por transformações sociais que têm como base um governo revolucionário. Nesse contexto, Norma Rita Guillard Limonta construiu sua luta e formou suas referências. Fundadora do ramo cubano da Articulação Regional de Afrodescendentes da América Latina e do Caribe (2012), ela afirma que outras mulheres, Mariana Grajales Cuello e Vilma Espin, foram suas inspirações. “Uma das principais figuras que nos inspiram é Mariana, a quem hoje reconhecemos como a mãe da pátria. É uma grande referência — ainda mais para mim, que sou de Santiago de Cuba, a mesma província de onde ela era. Foi lá que Mariana criou seus filhos. Vilma Espín, foi fundadora da Federação de Mulheres Cubanas e é também um exemplo de luta pelos direitos das mulheres. Ela abriu caminhos para todas nós”, disse ao Brasil de Fato. Mariana Grajales Cuello foi uma patriota independentista cubana e mãe dos irmãos Maceo. Filha de pais de origem dominicana, nasceu em uma família de negros não retintos livre, o que lhe possibilitou acesso à educação desde cedo. A Revolução Haitiana — a primeira revolução vitoriosa de pessoas negras escravizadas — marcou profundamente sua família. Reconhecer-se negra Para Sifontes, o foco do debate sobre questões raciais na Venezuela é hoje voltado à questão da identidade e do reconhecimento enquanto ser negro na sociedade. Estética, identificação e autoestima são os grandes motes da discussão racial no país. Ela considera urgente superar a ideia de que a Venezuela é um país sem racismo e acredita que esse é o primeiro passo para avançar em outros sentidos. “Nos anos 80, a autora Ligia Montanez, publicou um livro chamado Racismo Oculto em uma Sociedade Não Racista, que foi fundamental para essa interpretação. Reconhecer que existe racismo na sociedade venezuelana continua sendo um desafio. As pessoas começaram a denunciar a existência de racismo na sociedade venezuelana, porque, aqui, diferentemente de outros países onde o racismo é mais evidente e a segregação era mais visível como nos Estados Unidos, aqui sempre se difundiu a ideia de que, por ser um país mestiço, não temos racismo”, disse. Esse conceito equivocado, que também é presente no Brasil, contamina todas as estruturas da sociedade e atravessa a questão de gênero. Mas, segundo Sifontes, a leitura de que as mulheres negras são alvo de uma exploração dupla já é conhecido debate no país. O foco, portanto, deve ser no sentido de “criar consciência” e reafirmar-se enquanto mulher negra. O processo político venezuelano tem suas particularidades para promover esse tipo de debate. Desde que chegou ao poder em 1999, o ex-presidente Hugo Chávez reconfigurou a política e deu início a uma corrente chamada Revolução Bolivariana. O debate racial passou a estar em cena e o governo começou a falar de forma mais aberta sobre o racismo e a questão de gênero. Sifontes afirma, no entanto, que isso ainda é um processo e que tem sido construído passo a passo no país no seio da revolução e que essa discussão ainda precisa avançar entre a militância que participa e apoia o governo bolivariano. “Há tomadores de decisão dentro do governo que não têm consciência e não entendem que existe racismo na Venezuela. Portanto, quando políticas públicas são definidas, o componente racista está lá, oculto. O presidente insiste que existe racismo e apresenta como uma questão que todos nós temos que enfrentar, mas as pessoas não entendem e não aceitam isso. As pessoas negam o racismo pelas suas experiências pessoais”, disse. Educação que transforma Cuba tem um processo revolucionário mais antigo, que data de 1959. Isso transformou a vida de Norma Rita Guillard Limonta de maneira imediata. A vida e formação dela foram profundamente marcadas pela Campanha de Alfabetização de 1961. Com apenas 14 anos, ela se juntou ao contingente de jovens que protagonizou uma das maiores epopeias da Revolução Cubana: erradicar o analfabetismo na ilha. Seu testemunho dessa experiência está registrado no documentário Maestras, da cineasta Catherine Murphy. A partir de então, cursou o ensino superior ao lado de mulheres camponesas, que estariam presentes, de forma recorrente, nas lembranças mais queridas de sua trajetória. Ela também entende que há um processo longo ainda a ser percorrido pela Revolução Cubana e pelo governo castrista para buscar superar as desigualdades de gênero e raça no país. Além disso, Rita acredita que há a construção de um reconhecimento do povo negro cubano enquanto um grupo com direitos e com uma história. “Acho que o mais importante que aprendemos nessa luta pela mulher negra é que se trata de uma luta pelo autorreconhecimento. Reconhecemo-nos, conhecer nossa história e nossos ancestrais. É com essa força e esse legado que seguimos lutando. Sempre conscientes de que a união faz a força. Esse é o exemplo fundamental que podemos dar. Cuba realmente tem uma história incrível, com um legado de muita força — e é isso que nos permitiu mostrar que uma mulher negra pode se desenvolver e vencer”, afirmou. A pesquisadora e editora cubana Caridad Tamayo Fernández também avalia que há um racismo enraizado na sociedade cubana e que a revolução até faz um esforço para tentar superá-lo, mas não consegue. “A revolução tentou acabar com a discriminação e a desigualdade por meio de ações institucionais, mas o racismo já estava profundamente incorporado na genética social. Preciso citar Zuleica Romay quando diz: ‘Eu não perco a oportunidade de discordar dos companheiros que dizem que em Cuba não há racismo estrutural. O racismo é estrutural ou não é’. Ela explica que os fenômenos estruturais são extremamente difíceis de serem combatidos se não houver políticas que considerem as dimensões materiais, espirituais e simbólicas do problema”, disse. Haiti e as bases do feminismo negro caribenho O Haiti é considerado o país que fundamentou o debate do racismo no Caribe. A Revolução Haitiana, concluída em 1804, fez dele o primeiro país independente da América Latina e o primeiro Estado fundado por pessoas negras libertas da escravidão. Para Colette Lespinasse, educadora em Direitos Humanos, militante feminista, defensora dos direitos da mulher e dos migrantes, esse traço de luta forjou, não apenas as haitianas, como as mulheres caribenhas como um todo. Por essa razão, elas acabam por preservar uma característica em comum: uma forte ligação com África e a coragem para garantir a sobrevivência de seus países. “Em muitos lugares onde tive a oportunidade de conviver com mulheres e organizações feministas, como no Haiti, vejo como, especialmente nos países que enfrentam a pobreza, são as mulheres que se esforçam para alimentar a família, educar os filhos, trabalhar no campo ou nas fábricas”, disse. Outro ponto fundamental na avaliação da educadora é que essas mulheres são também responsáveis pela preservação e transmissão dos elementos da cultura. “Se há elementos da cultura haitiana que provêm da África e que se encontram até em países onde há muitos imigrantes haitianos, como os Estados Unidos ou a República Dominicana, é graças às mulheres que mantêm em grande parte essa cultura através da culinária ou na educação dos filhos. A transmissão de valores recai em grande parte sobre os ombros das mulheres. Acredito que seja o mesmo em outros países da região”, disse. Lespinasse lamenta que não haja um reconhecimento da contribuição feitas por essas mulheres para a construção de uma sociedade livre e que pensasse no fim da subjugação. Em um país com raízes formadas em torno da libertação e da luta revolucionária pelo fim da opressão, há ainda reivindicações muito básicas das mulheres negras, como o direito de viver em um espaço sem violência. Mesmo sendo uma pauta antiga no Haiti, ela afirma que as haitianas ainda são frequentemente vítimas de violência e os grupos armados usam o estupro como arma de guerra. “As mulheres lutavam para não serem espancadas por seus companheiros, assediadas ou estupradas. É um tema sempre presente”, afirmou. Lespinasse também destaca que, na luta das mulheres haitianas, há outros dois temas. O primeiro é o direito à saúde sexual e reprodutiva. Ela relata que muitas delas são obrigadas a parir em casa, em condições difíceis e expostas a diversos riscos. O Haiti tem a maior taxa de mortalidade materna no Hemisfério Ocidental, com 529 mortes a cada 100 mil nascimentos segundo o Médicos Sem Fronteiras. O outro ponto trazido pela educadora é o debate interno entre as mulheres haitianas sobre a carga social do trabalho das mulheres. “Entre as classes mais pobres, são as mulheres que enfrentam mais dificuldades: 40% das famílias são monoparentais, ou seja, a mulher é a única responsável pelos cuidados da família. Ela precisa trabalhar para alimentar todo o mundo e, ao mesmo tempo, cuidar da educação dos filhos. E os homens estão passeando. Eles fazem filhos, mas não cuidam deles”, criticou. “Portanto, a reivindicação é que os pais assumam suas responsabilidades, mas também que a sociedade como um todo, o próprio Estado, se organizem para diminuir a carga que pesa sobre os ombros das mulheres, para que elas tenham tempo e meios para se desenvolver”, concluiu. Protagonismos, resistência e celebração: o 25 de julho como marco político do afrofeminismo na Paraíba O 25 de julho é um convite à reflexão sobre o papel das mulheres negras na construção do Brasil 25.jul.2025 às 08h46 JOÃO PESSOA (PB) Rayssa Andrade Carvalho 2º Encontro de Mulheres Negras na Paraíba, em março de 2025 - Foto: Carla Batista Em meu primeiro artigo acadêmico, publicado em 2011, realizei o mapeamento das organizações, criadas de 1978 a 2011, que compunham o Movimento de Mulheres Negras no Brasil, e no título fiz alusão à frase “Nossos passos vêm de longe!” – popularizada pela ativista negra Jurema Werneck –, para expressar a ancestralidade da resistência e da luta política das mulheres negras brasileiras. Uma trajetória de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e à exclusão social, marcada pelo protagonismo, organização política e por importantes conquistas. O dia 25 de julho, instituído como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, é um dos marcos que representa a luta contemporânea e celebra a força ancestral dessas mulheres. Na Paraíba, organizações como a Bamidelê – Organização de Mulheres Negras, que atuou institucionalmente de 2001 a 2021, e a Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba foram e têm sido fundamentais para visibilizar e fortalecer essa pauta. A data foi estabelecida em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Caribenhas, na República Dominicana, demarcando a ação política das mulheres negras. No Brasil, o 25 de julho foi incorporado ao calendário de lutas do movimento afrofeminista, destacando-se como um momento de reflexão, reivindicação e celebração. Em 2014, a Lei nº 12.987 consolidou a data nacionalmente, homenageando Tereza de Benguela, líder quilombola que resistiu bravamente à escravidão no século 18. Na Paraíba, a Bamidelê abraçou essa data como uma estratégia política de visibilização das reivindicações das mulheres negras. Desde suas primeiras celebrações, ainda no final dos anos 1990, até os grandes eventos públicos realizados nas vias da cidade de João Pessoa, o 25 de julho ganhou proporções cada vez maiores. A organização não apenas promoveu encontros e seminários, mas também criou espaços para que as mulheres negras expressassem suas demandas e fortalecessem suas identidades. Em 2015, mulheres negras da Paraíba estiveram presentes na1ª Marcha das Mulheres Negras, em Brasília (DF) | Foto: Acervo/Abayomi-PB Assim, as comemorações do 25 de julho na Paraíba, que no seu inaugurar eram eventos pontuais e com caráter festivo, transformaram-se em parte de uma agenda ampliada, de maior dimensão e importância política, atualmente, como o Julho das Pretas. Essa iniciativa, inspirada no trabalho do Odara – Instituto da Mulher Negra da Bahia, passou a englobar atividades durante todo o mês, integrando-se às ações da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, criada em 2013. No contexto da mobilização para a 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, nos anos de 2014 e 2015, a Bamidelê ampliou o alcance das ações, culminando no 1º Encontro Estadual de Mulheres Negras na Paraíba. Em 2016, com a criação da Abayomi houve a consolidação do Julho das Pretas, evidenciando o fortalecimento do movimento com atividades culturais, políticas e educacionais realizadas em todo o estado. 1º Encontro Estadual de Mulheres Negras na Paraíba | Foto: Acervo/Abayomi-PB Nos últimos anos (2023–2025), o Movimento de Mulheres Negras no Nordeste e na Paraíba manteve o 25 de julho como um eixo central de luta, expandindo as ações do Julho das Pretas para todo o mês. Com atividades que vão desde debates sobre racismo institucional até celebrações culturais e homenagens, a coletiva Abayomi reforça a resistência afrofeminista no estado, especialmente em um contexto de aumento da violência contra as mulheres negras. Comitê impulsor de Campina Grande, no 2º Encontro de Mulheres Negras na Paraíba, que ocorreu em março deste ano | Foto: Carla Batista Em 2024, na programação dos 30 anos de instituição da data, a Abayomi realizou a 6ª edição do Buyìn Dudu: recontando nossas histórias, evento de entrega de honrarias a mulheres que se destacam na luta antirracista do estado, que abriu a agenda da 26ª edição do 25 de julho na Paraíba e da 12ª edição do Julho das Pretas, também aconteceram rodas de diálogo presenciais e virtuais, programação em podcast e encontro de mulheres. Neste ano comemora-se a 27ª edição do 25 de julho na Paraíba e do 13º Julho das Pretas. 6ª edição do Buyìn Dudu. Foram homenageadas: Mãe Renilda (Ialorixá), Graça Silva (professora), Maisa Félix (delegada), Elza Ursulino (quilombola) e Norma Góes (atriz) | Foto: Malu Rolim Como afirmou Maria José, integrante fundadora da Bamidelê, em entrevista concedida para elaboração do e-book de comemoração dos 20 anos de atuação da organização, no ano de 2020: “Cada vez que você vai reivindicar algo, é fazer política.” Essa frase sintetiza a essência do 25 de julho. A data não é apenas simbólica; é um chamado à ação. As mulheres negras paraibanas, por meio de seus protagonismos e resistência, têm mostrado que é possível transformar realidades, combater o racismo e o sexismo, e construir um futuro com mais justiça social e pelo bem viver. O protagonismo dessas mulheres está presente em cada marcha, em cada debate, em cada campanha que desafia estereótipos e exige reparação e direitos. Suas histórias, por tantas vezes invisibilizadas, são parte fundamental da narrativa brasileira. O dia 25 de julho é mais que uma data no calendário; é um símbolo de resistência e um convite à reflexão sobre o papel das mulheres negras na construção do Brasil. Na Paraíba, o movimento de mulheres negras tem mostrado que a união e a mobilização são ferramentas poderosas para mudar a sociedade. Enquanto houver desigualdade, haverá luta. E enquanto houver luta, as mulheres negras seguirão na linha de frente, escrevendo sua história com coragem e determinação. *Rayssa Andrade Carvalho é professora da rede pública municipal de ensino de Santa Rita (PB), historiadora, advogada e pesquisadora da história das mulheres negras brasileiras e paraibanas. **Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato. Apoie a comunicação popular, contribua com a Redação Paula Oliveira Adissi do jornal Brasil de Fato PBDados BancáriosBanco do Brasil – Agência: 1619-5 / Conta: 61082-8Nome: ASSOC DE COOP EDUC POP PBChave Pix – 40705206000131 (CNPJ) fonte: https://www.brasildefato.com.br/2025/07/25/protagonismos-resistencia-e-celebracao-o-25-de-julho-como-marco-politico-do-afrofeminismo-na-paraiba/ Mulheres negras celebram resistência e protagonismo no 25 de Julho Festival Latinidades comemora data com programação em Brasília Beatriz Arcoverde - Repórter da EBC Publicado em 25/07/2025 - 08:45 Agência Brasil © Valter Campanato/Agência Brasil Versão em áudio Nesta sexta-feira, 25 de julho, é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data é marcada pela resistência, ancestralidade e força das mulheres negras na luta contra o racismo, o sexismo e todas as formas de discriminação. A origem da celebração vem de 1992, quando foi realizado o Primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana. Essa iniciativa foi um marco histórico de articulação e reconhecimento internacional, e desde então, o dia 25 de julho se tornou um marco de união, mobilização e visibilidade. No Brasil, o Festival Latinidades, que marca a sua 18ª edição, celebra a data com uma programação especial até sábado, em Brasília. A curadora da exposição Alumbramento, Nathalia Grilo, ressalta a importância do evento na valorização do protagonismo negro: “Hoje, assino a curadoria de uma exposição no Museu Nacional da República, na capital do país, um museu projetado por Oscar Niemeyer. Não sei quando isso seria possível sem o convite do Latinidades. O Latinidades tem um histórico de fortalecimento da nossa jornada”, argumenta. Construção da sociedade Para a pesquisadora Eliane Barbosa, o 25 de julho é um dia de reconhecimento da presença e da contribuição das mulheres negras na construção da sociedade: “É uma data de suma importância, pois as Américas foram o continente que recebeu a população negra. Este é o continente da pluralidade racial. Celebrar este dia significa reconhecer a presença das mulheres negras, seu papel fundamental na sociedade e a necessidade de atenção e escuta”, salienta. Eliane Barbosa diz que 25 de julho é um dia de reconhecimento da presença das mulheres negras na construção da sociedade Foto: Valter Campanato/Agência Brasil A artista plástica e cineasta Luma Nascimento também reforça a potência do Festival Latinidades como espaço de memória e registro da ação feminina na história: “O festival evidencia e documenta a presença da mulher negra, latina, americana, indígena e a contribuição dela dentro da história desse país e de como ele se ergue, como ele se organiza, e como ele pode se organizar melhor. Acontecer tudo isso dentro de um processo que já fomenta esse tipo de diálogo há anos é colocar em evidência mais uma história, é documentar mais um movimento de mãos femininas para entrar na nossa história” disse Luma. Para a profissional do audiovisual Pietra Souza, a data também é de celebração da beleza, da força e da conexão entre mulheres negras: “É um dia de importância histórica. É um dia de relembrar memórias, é um dia de luta, mas, no meu ponto de vista, é principalmente um ponto de celebração. Celebrar essas semelhanças entre nós. Mulheres negras são bonitas, e eu acredito que é o dia de celebrar essas potências”, afirma. Estruturas de desigualdade A diretora do Instituto Afrolatinas, Jaqueline Fernandes, destaca que o Latinidades traz à tona a necessidade de enfrentamento das estruturas de desigualdade que ainda afetam profundamente a sociedade brasileira. Para ela, os principais desafios atuais passam por “políticas públicas eficazes, investimento em educação antirracista, garantia de representatividade nos espaços de poder, valorização da cultura negra e combate à violência institucional. Mas também passa pela mudança de mentalidades e pela construção coletiva de uma nova ética social e pacto civilizatório.” No Brasil, o 25 de julho também é reconhecido como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído por lei em 2014. Tereza de Benguela foi uma das mais importantes lideranças quilombolas do século 18. À frente do Quilombo do Quariterê, no estado de Mato Grosso, resistiu por décadas à escravidão e criou um sistema político e econômico autônomo. Celebrar o 25 de julho é, portanto, valorizar a história de mulheres como Tereza de Benguela e tantas outras que lutaram e seguem lutando por direitos, igualdade e visibilidade. Relacionadas Festival Latinidades mostra arte e empreendedorismo de mulheres negras Mulheres negras querem mais participação em decisões sobre o clima Ausência de mulheres negras é desafio para ciência Artigo anterior: Cinema negro e mitologia africana: ‘O Segredo de Sikán’ será filmado no Recôncavo Baiano Anterior Próximo artigo: Celebração de mais uma conquista das mulheres negras de Salvador (BA) e região. Ciranda de Encerramento do Laboratório Feminista Próximo