... Morreu a moçambicana Alice Mabota, defensora dos direitos humanos

Por causa dessa luta, Mabota foi distinguida, em 2010, pelos Estados Unidos, com o prémio Internacional de Mulheres de Coragem

Alice Mabota numa manifestação pelos direitos humanos em Maputo. Outubro 2013

Morreu, nesta quinta-feira, na África do Sul, Alice Mabota, influente defensora de direitos humanos em Moçambique.

De 74 anos de idade, Mabota morreu de doença, disseram os familiares.

Maria Alice Mabota nasceu em 1949, em Maputo, onde formou-se em direito.

Segundo o portal wikipedia, em 1995, depois de ter trabalhado na Administração do Parque Imobiliário do Estado e Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica, fundou a Liga Moçambicana dos Direitos Humanos.

 Maputo: Manifestação de 31 Outubro de 2013

Moçambique: Polícia questiona Alice Mabota

Na liderança desta organização destacou-se na denúncia de violação de direitos humanos e corrupção.

Ela liderou várias manifestações em defesa da paz e contra as desigualdades sociais, tendo sido várias vezes ameaçada por figuras ligadas ao regime.

Por causa dessa luta, Mabota foi distinguida, em 2010, pelos Estados Unidos, com o prémio Internacional de Mulheres de Coragem.

Em 2019, Alice Mabota foi a primeira mulher a candidatar-se à presidente de Moçambique.

fonte: https://www.voaportugues.com/a/morreu-alice-mabota-defensora-de-direitos-humanos/7307731.html

Alice Mabota

 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Alice Mabota
Nascimento 8 de abril de 1949
Maputo
Morte 12 de outubro de 2023 (74 anos)
África do Sul
Cidadania Moçambique
Ocupação ativista dos direitos humanos

Maria Alice Mabota (8 de abril de 1949, em Lourenço Marques — África do Sul, 12 de outubro de 2023) foi uma ativista dos direitos humanos moçambicana e presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos.

Vida

Maria Alice Mabota nasceu em 1949 no atual Hospital geral José Macamo. Normalmente, as famílias ditas "indígenas" - como era a família de Mabota - não registravam os filhos imediatamente ao nascer. Por isso, sua idade foi estimada em comparação com a fisionomia de outras crianças.[1]

Mabota viveu ocasionalmente com o pai na Machava 15, primeira escola primária frequentada pela Mabota na Estação Missionária Missão de São Roque, em Matutuíne, a cerca de 100 quilómetros da capital. No entanto, apenas lá conseguiram concluir o ensino básico.Morava também com o tio no outro lado da capital, em Catembe , onde foi batizada em 1966.[1]

Em 1967/68, sua mãe retornou da África do sul, onde teria trabalhado para a Frente de Libertação da FRELIMO de Moçambique. A mãe insistiu que a filha continuasse a estudar. Em seguida, ela foi para a escola secundária à noite e trabalhou durante o dia como faxineira em várias instituições.[1]

Terminou a sétima série na escola secundária Francisco Manyanga e a nona na escola secundária Josina Machel no centro de Maputo. Como resultado, obteve acesso ao ensino superior, mas não conseguiu estudar medicina - já que não apreciaria ver cadáveres, segundo seu próprio depoimento, nem relações internacionais, já que não falava inglês ou Francês. Em seguida, deu aulas de português na escola secundária Francisco Manyanga. Posteriormente, trabalhou na Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ) e na administração imobiliária estadual Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE).[1]

Fundação da Liga dos Direitos Humanos

Uma grande mudança na vida de Mabota ocorreu em 1993, quando participou de uma Conferência de Direitos Humanos em Viena, onde permaneceu por 45 dias. Isso a motivou a se comprometer muito com os direitos humanos em Moçambique. De regresso a Viena em 1995, juntamente com outros activistas e intelectuais moçambicanos, fundou a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, em inglês "Human Rights League", baseada no modelo da Guiné-Bissau.[1][2]

Alice Mabota dialogando com Douglas Griffiths, embaixador dos EUA em Moçambique de 2012 a 2016

Desde então, Alice Mabota presidiu à Liga dos Direitos Humanos e estabeleceu-se como uma das vozes mais populares da sociedade civil de Moçambique.[3] Especialmente na década de 2010, criticou a crescente polarização da política moçambicana entre a FRELIMO e a RENAMO . A Liga dos Direitos Humanos, em conjunto com outras organizações da sociedade civil moçambicana, organizou inúmeras marchas de protesto pela paz, igualdade e contra a corrupção na capital moçambicana. No decurso disso, recebeu numerosas ameaças de morte e insultos públicos, que são atribuídos à ala radical da FRELIMO.[4][5] A polícia criminal moçambicana também a interrogou, visto que era acusada de difamação presidencial.[6]

Em 2010, Mabota recebeu o prêmio International Women of Courage, patrocinado pelo governo dos Estados Unidos.[7][8]

Em 2014, considerou temporariamente a candidatura às eleições presidenciais, mas acabou desistindo.[9] decidiu-se candidatar à presidência nas eleições de 2019.[10]

Morte

Alice Mabota morreu em 12 de outubro de 2023, aos 74 anos. Ela estava internada num hospital na África do Sul.[11]

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d e Emildo Sambo (10 de março de 2015). «"Temos de alcançar a independência em prol das futuras gerações", Alice Mabota»A Verdade. Consultado em 2 de setembro de 2016
  2.  «The Status of Human Rights Organizations in Sub-Saharan Africa Mozambique»hrlibrary.umn.edu. Consultado em 2 de setembro de 2016
  3.  «I have a right to | BBC World Service»www.bbc.co.uk. Consultado em 2 de setembro de 2016
  4.  «QUEM É ARMANDO GUEBUZA»Jornal Domingo. Consultado em 2 de setembro de 2016Cópia arquivada em 3 de setembro de 2016
  5.  «Alice Mabota diz que sofre ameaça para abortar marcha do próximo sábado»O País. Consultado em 2 de setembro de 2016
  6.  «Polícia de Moçambique interroga ativista Alice Mabota»Deutsche Welle. Consultado em 2 de setembro de 2016
  7.  «MOZAMBIQUE: Alice Mabota Wins 2010 International Women of Courage Award». Consultado em 2 de setembro de 2016Cópia arquivada em 24 de maio de 2019
  8.  «Alice Mabota é a mulher mais corajosa de Moçambique»O País. Consultado em 2 de setembro de 2016Cópia arquivada em 6 de abril de 2019
  9.  «Alice Mabota admite candidatar-se à presidência de Moçambique | Portal de Angola»Portal de Angola. 23 de janeiro de 2014. Consultado em 2 de setembro de 2016
  10.  «Moçambique: Alice Mabota, primeira mulher candidata às presidenciais | DW | 15.07.2019»DW.COM. Consultado em 2 de agosto de 2019
  11.  «Morreu a ativista moçambicana Alice Mabota – DW – 12/10/2023»dw.com. Consultado em 13 de outubro de 2023

fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_Mabota

Governo diz que Alice Mabota foi exemplar na defesa dos direitos humanos 

Falando no Paços do Município de Maputo, na cerimónia do último adeus à activista dos direitos humanos, Alice Mabota, o vice-ministro da Justiça disse que a advogada foi um exemplo de combate a todas as formas de injustiça em Moçambique.

Filimão Suazi elogiou o trabalho da activista em defesa dos que não tinham recursos para recorrer à justiça para resolver os mais diversos problemas.

“Alice Mabota será lembrada como a que lutou sem medo a favor dos desfavorecidos e oprimidos em prol de uma sociedade igualitária para os moçambicanos”, realçou Suazi.

Ainda na cerimónia fúnebre, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) avançou que Alice Mabota foi uma activista “incansável” em defesa de cidadãos anónimos e de causas de promoção da justiça social em Moçambique.

Luís Bitone fala de uma comissária que, mesmo no leito hospitalar, na vizinha África do Sul, mostrava preocupação com o estágio dos direitos humanos no país, aconselhando abordagens de resposta às violações dos direitos fundamentais dos carenciados.

A família Mabota, por sua vez, fala de uma activista que sempre soube ser esposa, irmã, mãe e avó, apesar da figura pública que era. Aliás, Alice Mabota foi a primeira mulher a candidatar-se ao cargo de Presidente da República, em 2019.

Os activistas presentes na cerimónia consideram Alice Mabota a “mãe dos direitos humanos” em Moçambique,  pelo seu trabalho como Presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, prestando assistência jurídica gratuita aos carenciados, denunciando os excessos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e lutando contra a corrupção no sector público.

Alice Mabota perdeu a vida na última quinta-feira, 12 de Outubro, aos 74 anos, na vizinha África do Sul, vítima de doença. Os restos mortais da activista dos direitos humanos vão, esta tarde, a enterrar no Cemitério de Lhanguene, na Cidade de Maputo.

fonte: https://opais.co.mz/governo-diz-que-alice-mabota-foi-exemplar-na-defesa-dos-direitos-humanos/

 


 

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